
A tradicional lista de destaques da Cinemateca Paraense abriu espaço para que cineastas, pesquisadores e críticos de cinema paraenses fizessem a indicação de uma obra que marcou o ano de 2025. A crítica Lorenna Montenegro trouxe a poderosa obra de Adriana de Faria, que abre a lista e certamente foi o grande filme paraense do ano, e porque não dizer, um dos melhores curtas brasileiros do ano.
“Uma obra com robustez sensorial e narrativa, que se utiliza de um realismo encantatório para abordar o conflito entre uma mãe e uma filha que é sublimado pela intervenção do destino a partir do momento em que elas se mudam para uma das ilhas que circundam Belém. Adriana de Faria comprova que é uma das cineasta mais imaginativas do país, se utilizando dessa história que interpõe a realidade com as imagens que permeiam o imaginário da Amazônia para homenagear uma mulher que cuidou dela desde a infância e é tia da atriz Jhanyffer Santos, uma das protagonistas de Boiuna, premiada no Festival de Gramado como o Kikito de melhor atriz junto com Naieme.” Lorenna Montenegro
Lorenna Montenegro é crítica de cinema, jornalista cultural, roteirista, pesquisadora e professora, com mais de 20 anos de atuação no setor audiovisual.
BOIUNA. Direção e Roteiro: Adriana de Faria; Produção executiva: Adriana de Faria, Tayana Ribeiro; Direção de Fotografia: Thiago Pelaes; Direção de Arte: Vinny Araújo; Montagem: Lucas Domires; Direção de Som: S Lucas Coelho; Elenco: Jhanyffer Santos, Naieme, Isabela Catão, Ana Sofia Oliveira Vilhena, Iza Pantoja, Kelly Hobi, Yêda Neves. Belém, 2025.

O diretor e roteirista Andrei Miralha @andreimiralha trás a segunda indicação de filmes paraenses que se destacaram em 2025. Sua indicação, com nossos aplausos e total concordância, foi a obra “Americana” de Agarb Braga @agarbisnotbraga , que foi exibida e premiada em inúmeros festivais de cinema.
“Minha indicação vai para uma bela surpresa que tive esse ano, que foi o curta-metragem paraense Americana, dirigido por Agarb Braga, que destaca-se pela narrativa dinâmica e pelo humor afiado. Com cenas e diálogos hilários, o filme retrata uma situação de traição e seus desdobramentos no cotidiano de um grupo de mulheres trans da Marambaia, bairro da periferia de Belém. A obra tem circulado por importantes festivais, consolidando-se como um relevante destaque do cinema contemporâneo amazônico.’
Andrei Miralha é Mestre em Artes (UFPA), arquiteto, ilustrador e um dos pioneiros da animação audiovisual no Pará.
AMERICANA. Direção, Roteiro e Edição: Agarb Braga; Produção: Agarb Braga, João Luciano; Produção Executiva: Mauricio Moraes; Direção de Fotografia: Tarcísio Gabriel; Direção de Arte: Beatriz de Oliveira, Ana Julia Antunes; Figurino: Ketlen Suzy; Direção de Som: Marcos Adles; Elenco: Leona Vingativa, Aria Nunes, Laiana do Socorro, Victor Henrique Oliver, Agarb Braga, Mac Silva, Juan Moraes. Belém, 2025.

O documentarista e pesquisador Felipe Cortez @ofelipecortez selecionou para nossa lista o filme da jovem cineasta Beatriz Balby para compor nossos destaques de 2025. O filme foi um dos representantes do Pará na Mostra Sesc de Cinema por todo o Brasil.
“É um retrato realista de uma história invisibilizada: uma mãe negra periférica que luta pelo direito de existir com dignidade amparada por sua rede de apoio. É um dos mais belos resultados que a Lei Paulo Gustavo deixou por aqui e que abre com louvor a carreira desta promissora diretora estreante e com uma equipe majoritariamente feminina. O filme também é uma prova da força da formação na produção audiovisual do Pará.”
Felipe Cortez é doutorando e Mestre em Artes (ICA-UFPA) é documentarista, pesquisador e professor do curso de Cinema e Audiovisual (UFPA).
DESCULPA não dizer que te amo. Direção e Roteiro: Beatriz Balby; Produção Executiva: Denise Espíndola; Direção de Fotografia: JV Garcia; Edição e Montagem: Kian Zwicker, JV Garcia, Daniel Magno; Direção de Produção: Mariana Corrêa; Direção de Arte: Naya; Assistente de Direção: Ádria Sofia, Gabriel Jacob, Kian Zwicker; Direção de Som: Lyandra Faria; Elenco: Rosy Lueji, Gessycka Gino, Cailany Carvalló, Julia Favacho, Victor Menezes. Belém, 2025.

A animação audiovisual paraense não podia ficar fora da lista. A produção “Visagens e visões” de Rod Rodrigues @rodrigsrod com a produtora Muirak Studio, fez uma temporada de festivais fantástica em 2025 e foi a indicação do comunicador Lucas Lorran @olucaslorran .
“Super indico essa obra-prima premiadíssima para quem ama animação e história de visagens. Além de ser baseada num clássico da literatura paraense, ela mostra que não falta talento e qualidade nas produções feitas no Norte do Brasil. A forma como a trama entrelaça as lendas, enquanto constrói o plot twist me encanta demais. Se estás procurando um jeito de apresentar a galera do digital ao universo das visagens contadas pelos antigos, esse curta é a melhor escolha.”
Lucas Lorran é formado em Letras / Inglês (UFPA), graduando em Comunicação Social – Jornalismo (UFPA) e divulga cinema, arte e cultura nas suas redes sociais.
VISAGENS e Visões. Direção e Roteiro:Rod Rodrigues; Produção Executiva: Jacqueline Medeiros; Ilustrações e arte-final: Helô Rodrigues, Adnilson Gomes, Everton Leão, Eliezer França e Gabriel Fernandes; Produção:Jacqueline Medeiros, Melina Marcelino, Ítalo Rodolpho, Felipe Gillet, Rod Rodrigues. Animação: Gustavo Medeiros e Eliezer França; Montagem e finalização: Gustavo Medeiros; Edição de Som: Rod Rodrigues; Masterização: Thiago Albuquerque; Trilhas originais: José Adailton; Elenco: Carol Magno, Roberto Ribeiro. Belém, 2024.

O documentário na Amazônia é fundamental para a compreensão das complexas relações sociais, políticas e culturais da nossa região, e cumprindo esse papel o filme “Como estamos nós, Barruel” de Marcelo Barbalho desvela histórias e memórias sobre a cidade de Marabá, de ontem e hoje. O filme foi a indicação do produtor cultural marabaense Jairon Gomes @jairongomes , e é certamente um dos melhores documentários amazônicos do ano.
“A produção parte do livro “Marabá: cidade do diamante e da castanha”, escrito em 1955 pelo sociólogo francês H. D. Barruel de Lagenest, que viveu em Marabá durante aquele período. No livro, Barruel descreve uma cidade marcada pela desigualdade social e pela “exploração do homem pelo homem”. Setenta anos depois, Marcelo Barbalho revisita essas questões, lançando um olhar contemporâneo sobre a cidade e buscando responder ao autor francês: como estamos nós, Barruel?. A obra concorreu ao prêmio de melhor filme na mostra Olhar Panorâmico – Olhar do Norte (2025). “
Jairon Gomes é produtor cultural, Mestre em Demandas Populares e Dinâmicas Regionais (UFT) e especialista em Políticas e Gestão Cultural (UFRB).
COMO estamos nós, Barruel. Direção e Roteiro: Marcelo Barbalho, Produção Executiva e Pesquisa: Cinira Dalva; Montagem e Edição de Som: Emiliano Barreira; Direção de Fotografia e Câmera: Marcelo Barbalho, Ricardo D’Almeida, Emiliano Barreira; Som Direto: Itair Rodrigues. Marabá, 2025.

Fechando nossa lista o filme-manifesto “Rock Doido, o filme”, de Gaby Amarantos @gabyamarantos , Guilherme Takshy @guilherme_takshy e Naré @riosdenare , feito para expandir em imagens o universo proposto pelas músicas do álbum homônimo da cantora paraense. A pesquisadora Alexandra Castro @alexandracastro_ , que há anos desenvolve pesquisa sobre as mulheres e o audiovisual amazônico, escolheu a obra como seu destaque de 2025.
“Rock Doido: o filme”, de Gaby Amarantos, Guilherme Takshy e Naré, é uma obra que se inscreve como clipe musical, curta-metragem e performance expandida, no qual a artista percorre sua trajetória musical e remete a vários momentos de sua carreira e da sua própria vida. Além disso, funciona como um grito de liberdade e gesto estético-político sobre gênero, padrões de comportamento e hierarquias culturais. A trilha sonora conduz a montagem e o ritmo interno do curta, o “rock” é reconfigurado a partir de uma lógica periférica e amazônica.”
Alexandra Castro é professora de artes (IFPA), doutoranda em Multimeios (Unicamp), Mestre em Artes (UFPA) e desenvolve uma pesquisa sobre as mulheres no audiovisual na Amazônia.
ROCK doido. Direção: Guilherme Takshy, Naré, Gaby Amarantos; Produção Executiva: Gaby Amarantos, Álvaro Gazé; Direção de Fotografia: Naré, Guilherme Takshy – Altar sonoro; Direção Criativa: Altar Sonoro, Gaby Amarantos; Roteiro: Gaby Amarantos, Naré, Guilherme Takshy; Colorização e Montagem: Naré, Guilherme Takshy, Lucas Mariano; Design/Motion Graphics: Lucas Mariano; Direção de Arte: Guilherme Takshy, Alessandra Torres. 21 min. Belém, 2025.



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